sexta-feira, novembro 17, 2006

À parte

Entras num plano à parte, desconheces, e tudo o que vês a volta é-te estranho, lento, vais, não sabes onde estás, se um país estranho, se perdido, serão os outros? Serei eu só que não reconheço. São instantes, é tudo um filme, acho que sou realizador de um movie qualquer que desconheço, sou a personagem principal e sou eu que filmo, sou o gajo das legendas, sou tudo num só, quiçá um deus qualquer. São túneis escuros e roxos, são bolas de neve verde, são palhaços e revoluções industriais, é tudo na tua mente. Corres, cada gesto teu é uma parte de um filme, do qual já entrei e só saio amanhã, se sair. Tens a boca seca e depois fazes os planos de vidas, os que morreram não voltam, ou voltam noutros pontos que não conheces, há tecidos, há sangue, há livros abertos, eu sou deus, num misto incrível de falas e respostas secas, sou demasiado teatral. Vamos no carro, e tudo o que me falas, respondo com a minha voz pausada, e cada vez mais grave, dói-me os olhos, estou nervoso, tenho frio, não sei o que quero, mas isto é surreal, desde então sou surreal, flutuo, sinto-me tão longe, e a fazer uma força musculada, contraída para chegar à realidade, não distingues mais, não sabes mais o que és tu, ou ele, ou ela, onde vão e se vão. Não sabes mais, onde ficas, para onde vais, perdes os sentidos para ganhares outros novos, mais curiosos, menos bons, talvez, filme lisboeta assustador, estou tão nervoso. Meto música, assim acalma-me, mas tenho o coração aos pulos, dói-me a orelha da música, é tudo tão lento, tão rápido, dou por mim a correr dentro do quarto, a fingir-me sóbrio, ouço tudo gradualmente, falo demasiado, é demasiado rápido e lento ao mesmo tempo, o som é gradual e sentes o próprio eco dentro de ti, a afastar-se e depois há um qualquer momento de criação absurdo, tão rápido que não volta mais, apetecia-me escrever, deixar-me ir apenas, mas já fui, não volto mais, há cores no escuro, não durmo, sonho apenas, olhos fechado, let it flow… let it slowly flow… voltas ao passado como num comboio, não quero, não, a música está tão alta e ele fala tanto, é tudo tão dramático, tão teatral, tão filmico, típico de filme. Amanhã será tudo diferente, mas estás lento, cansado, não dormiste, sonhaste, e foi tudo culpa da espanhola, puta de merda, não me falou, só soube que eu era puto e aproveitou-se, o teu passado torna-se um filme mais real, tudo o que fazes volta-te à memória, o que fizeste, que sentença justa, se é que houve justiça, neste estado pseudo-decadente, é demasiado rápido, vomito? Fodasse, não posso, não tenho força, quero é chegar a casa e dormir, tentar dormir, mas dentro de mim há mosquitos, há zumbidos estranhos, afasto-os com a mão, mas eu sou consciente, distingo bem a realidade do sonho, o consciente do meu inconsciente, eu aqui, tu ali, desconheço, as imagens são tão lentas, o mundo é tão lento. A boca é sólida, dura, não respiro, se parar não é por isso que morro, a boca está seca, demasiado seca para respirar, viver, aqui. Por isso culpo-te pela tua generosidade fútil, e culpo-me ingenuidade forçada, tu não és parvo. A espanhola é que foi uma puta. Puta da espanhola.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Ma pute [luv ya]


"O teu corpo é um negócio"
Black Company - Gina

Watch out!



Há qualquer ponto ao fundo indefinido, tipo sangue de moscardo azedo. Não toques, não cheires, [don't fuckin' move or touch!], é o vírus indefinido, que te queima, não te aproximes, nem dele, nem de Mim.

open your mind [España]

No me controles [España]

sábado, outubro 21, 2006

Good Morning [Sparkle]


We both went out for a few days
we both went out and i'm alone
but i thought i would find you at home
my mother rang' cause you weren't there
she started talking and i got scared
she told me that you weren't there
she told me that you weren't anywhere
i hope he has nothing to say
i hope you're sleeping in my bed
i wish i hadn't felt so scared
i can't be happy anymore
i can't lie anymore
me and you aren't We
stop saying good morning to me
i hope he has nothing to say
i hope you're sleeping in my bed
i wish i hadn't felt so scared
Casino

sábado, setembro 09, 2006

T(h)ree

Continuas aí mesmo, na tua perdição fotogénica, onde posas seriamente para a fotografia desfocada, espera, repete tudo… nem queres a cara na câmara, apenas o corpo, na religião do teu corpo, impossibilitado de acreditar (em deus). Eras bonito só no teu ser, nas calças descaídas, espera… mostra mais o corpo, contrai os músculos que fica bem na foto, tu nem sequer usavas esteróides, apenas a mão em baixo aí na picha, que sabes que conquista todas. Não passas então do mero banal e fútil modelo de fotografias, que nem sequer são o teu forte, deves estar mais virado para o teatro, onde circulas em círculos circundantes por vidas, nem comentas nada, nem dizes nada apenas, na tua força abominável, eu sempre te abominei, por gostar demasiado (de deus). Agora vais apenas, entre casacos da moda, e gravatas pouco usuais, na medida em que crês ser diferente e não passar da tua banalidade, da tua mão em baixo, da cara em perfil, da foto escurecida, pelo tempo, pelo excesso de gajos que te passam e gajas, devem ser tuas amigas, tu gostas… tu adoras… esse famosismo, fanaticodepressivo, cais em casa, nem tens a tua mão para te levantar e muito menos a picha que não fica tesa, nada, sozinho, tens que sexo? És gajo ou gaja? E isso importa(-me)? Que sejas feliz na tua ilusão de dias imprimidos, em cordas velhas e molas… é preciso deixar as fotos secar, vais apenas, onde a verdade não existe, onde tu não existes, é apenas o gajo a fotografar, a maquilhadora, e nesse canto de luzes onde nem pertences… como se tu soubesses o que é pertencer (ao mundo). Falas sem pensar, completamente bêbado, pedrado, fumaste tanto que só há fumo na tua casa, no teu quarto, dentro de ti, fumaste tanto e tantos que só existe agora as beatas, só existe agora o teu cinzeiro, e adormeces nesse cheiro repugnante de mortos, na tua magreza. Se te desejasse o céu seria falso, desejar-te o inferno seria quase verdadeiro, mas ok… fica mal aqui, e se vivemos de ilusões, vou te dizer que te desejo apenas a vida, se calhar isso está mais próximo do inferno, já que tocas no chão quente todos os dias dessa tua cidade perdida, que eu desconheço, no meu prazer. Para ti, fica-te-me a vida, nos caminhos fotografados que ainda desconheces, por seres um puto, fica-te apenas a vida, a ver se aprendes a matar-te e a não sobreviver, a ver se cais e nem a picha te fica tesa, para te levantares. Desejo-te as tardes e as noites de Inverno que eu pensei passear contigo numa cidade lisboeta, fica-te apenas o meu desejo, e para que saibas que se quiseres voltar atrás já não podes, nem queres, nem eu quero, por estar demasiado bem assim, longe, neste nada, neste vazio, neste vácuo onde não entra ar, apenas o calor de corpos levitantes, voadores, neste vácuo da cidade assustadoramente cercada por cercas emadeiradas de pérolas… pseudo ilusão… não vás, não fiques, não voltes, nem partas outra vez, não vás apenas, segue-te onde fores, eu não te seguirei no meu orgulho masculino, vai-te e não percas (o rumo, o fio à meada), nem a ti nem ao caminho, que já deve estar perdido, é lá contigo. Segue apenas em mais essa rua de vácuo nulo, nulidade completa de ti, e encontra-te: processo demasiado complexo, a fotografia sempre to tirou… e tu sempre quiseste dinheiro, sua puta faminta, nem um gajo sabes mamar, tudo o que querias era dinheiro, e quando encontraste o homem da tua vida permaneceste no ócio, a criar teias, o teu oficio deixaste de cumprir. Vê se ganhas a vida e se não te perdes dela. E se me seguires um dia, nem penses… segue apenas… cada canto será teu, e cada beco será meu.

.Numbers.

quinta-feira, agosto 31, 2006

By train



"my arms around you"

segunda-feira, julho 31, 2006

Desconhecido

"Assumir é progredir"
NBC

Nós

Repara da perfeição da nossa posição, sexualmente excitante, no meio da mesma rua de sempre, sem pudor.

It's in your hands


Nas tuas mãos permanece apenas o sentido inquestionável, da questão da qual tu até desconheces, como que na resposta ao sentido desconhecido das nossas vidas, o mais provável fim inexistente, que adormece já hoje na nossa existência.

quarta-feira, junho 21, 2006

God should be blind


"hope he fucks with you..."

Deixaste de me existir, deixa apenas, foi o autocarro perdido, eu lembro bem esse dia, sem retorno, não perdeste as malas, esse é apenas o pretexto constante teu, o teu saber, tu sempre as escondeste para depois eu procurar, tu sempre fugiste, foi apenas o traço incorrecto do trabalho geometricamente descritivo que te enganaste, que me enganei, sem mais querer (que é poder) corrigir. Apenas, qual soma inventada de dias, qual som, onde a está a tua música, tu sempre ignoraste na aparência da tua fragilidade, ignorante, utópica, como tu gostas de usar, não te agradeço, nem te retribuo, não falo mais, não digo nem mais um som cortante, que eu sei, e depois levantaste, sais de pasta na mão, deixa lá isso, não te quero empatar. Não és mais nenhum tu, apenas um nada, sem te conhecer, tu nunca nada… tu nunca nada, eu nunca tudo, foi no erro incorrigível que foi a minha vida, foi no nosso conhecimento, além do sexo, além de nós, do nosso corpo, até um dia dizia STK, já não existe, nem tu nem eu, nem o plural que me dói, nem nada mais, nem mais uma casa, nem mais um quarto, nem mais a nossa vida, nem mais nada, nem mais nada, nem mais nada, processo este mental de fuga, a fuga a ti, á nossa vida, claro que nos falaremos, apocalipse chegará, qual cinema, que saudades, qual concerto… que morte. Já não falo, e sempre pedi a cegueira, eu sempre pedi a cegueira, não te ver mais, ou apenas no longe, o passado não existe, existe apenas o que ficou dele, que também não existe, apenas o constante processo, eu quero, eu posso, que ilusão, que dia o de hoje, saber que entras em casa, cozinhas o mesmo de sempre, e eu no meu silêncio de padre, pelo medo constante de pecar, eu só queria sexo, eu só quis sexo, erro meu, qual futuro, o destino não existe, existo eu. Não fales mais nada, eu também não direi nada, eu nunca mais direi nada, a tua voz não existe, para quê ligar-te novamente, a mesma resposta, ouvi dizer que morreste, e é tudo mentira, a nossa vida é uma mentira, nós somos a ilusão, somos apenas o progresso de um sono falhado, insónia no dia D, somos o ausente, somos a ausência, somos o fim, o dia da última guerra mundial, o dia que não existe, deixámos de existir para alimentar falsas esperanças, a aparência tu sempre adoraste a aparência, o sorriso falso, e depois, gritas, por onde andas indaga Fidbeck, porque a nossa voz sempre falhou, eu sempre falhei, o som terminou, não existes mais aqui, mas também não morreste, não comeste, mas não foi por isso que não deixaste de (me) comer, na devoração voraz da fome, do auge, um dia saberás, que não fiz nada, por saber que queria fazer a mais, tu nunca estiveste… mal… caminho então, no teu escuro, sim eu sei que te entro pela janela de noite, eu sei que como à mesa contigo e que durmo debaixo da tua cama, tu sempre me deixaste entrar, eu sei que ainda sou eu no teu espelho, o que tu vês não passa do projecto que tencionaste ser, eu sou apenas o teu tu, na versão que tu consideras infantil, coitado do puto, está cheio de fome, puta da mãe, tu gostas, tu amas, tu gritas ainda por esse beco sem saída onde continuamos, no círculo circular, mas espera, há aqui um erro, há ainda pedaços de carvão, o lápis não foi correctamente afiado (que ainda precisa ser queimado), sai, sai, queima tudo o que deixaste teu, e é a tua vida, não morras mais, não te mates mais, não me mates mais, és a criminosa de um crime hediondo cuja vítima ainda gritou o amo-te depois de já morto, ou terá sido tudo invenção dessa mente perversa e louca, tu sempre foste dramática e mórbida, cortas o mal pela raiz, mas tu és a raiz, tu és a raiz, criminosa, o juiz jurou prisão perpétua, até ele jurou, manipuladora do teu mundo, que sem querer manipula os outros, pedófila, e então eu apenas grito, fui a vítima do crime que eu mesmo cometi, tu foste apenas o cúmplice que depois fugiu, um ladrão nunca rouba sozinho, fica sempre alguém à porta, ficaste tu à porta, e depois fugiste, disseste que haveria o sempre, mas a culpa foi minha, foi nossa, sim, disseste que haveria o eterno, disseste que existia o infinito, disseste que disseste, que afinal era tudo uma mentira, foi tudo mentira foi tudo o som, interminável foi tudo, foi tudo, foi nada, agora minto na aparência que sei que me fica bem, afinal era tudo mentira e eu sempre o soube, tu sempre o soubeste, nós sempre o soubemos, e era tudo mentira.
Anónimo (hoje)